Proposta busca ampliar a fiscalização e combater estabelecimentos ligados ao comércio irregular de peças.
O comércio regular de sucatas e peças usadas movimenta uma atividade legítima e importante. O problema começa quando estabelecimentos clandestinos ou irregulares passam a funcionar como destino para materiais de origem criminosa.
Peças de veículos furtados ou roubados, cabos, metais e outros produtos sem procedência não podem encontrar no mercado ilegal um caminho fácil para serem revendidos.
Por isso, Kauan Poubel defende o fortalecimento da fiscalização de ferros-velhos, desmontes e estabelecimentos que comercializam peças usadas no Estado do Rio de Janeiro, com foco no combate à receptação e na identificação da origem dos materiais.
Fiscalização para separar quem trabalha certo de quem atua na ilegalidade
O objetivo não é perseguir o comerciante regular.
Empresas devidamente cadastradas, que cumprem as regras e conseguem demonstrar a procedência das peças que comercializam, precisam ser diferenciadas dos estabelecimentos clandestinos.
O próprio Detran-RJ mantém um sistema público para consulta de empresas credenciadas na atividade de desmonte de veículos. Segundo o órgão, essas empresas precisam manter documentação regular e estabelecimento vistoriado para atuar legalmente.
A proposta defendida por Kauan parte justamente dessa lógica: mais controle sobre quem opera à margem da lei e segurança jurídica para quem trabalha corretamente.
O Rio já possui instrumentos contra a receptação
A legislação estadual vem avançando nessa área.
Em abril de 2026 entrou em vigor a Lei Estadual 11.154/26, que permite a interdição cautelar ou definitiva de estabelecimentos flagrados, nas condições previstas pela norma, com cobre proveniente de fios pertencentes a concessionárias de serviços públicos. A medida complementou regras estaduais anteriores de combate ao roubo, furto e receptação de materiais metálicos.
O desafio é fazer com que fiscalização e legislação tenham efeito também no dia a dia.
Lei sem fiscalização não basta.
Combater também quem sustenta a cadeia do crime
Quando existe mercado para comprar um produto roubado, cria-se um incentivo econômico para novos crimes.
Por isso, o enfrentamento precisa atingir não apenas quem pratica o furto ou o roubo, mas também quem compra, armazena, desmonta ou comercializa conscientemente mercadorias de origem criminosa.
A proposta de Kauan é defender uma atuação integrada dos órgãos responsáveis, ampliar a fiscalização e cobrar mecanismos eficientes de rastreabilidade e controle.
Combater a receptação é atacar uma das etapas que tornam o crime lucrativo.
Para Kauan Poubel, segurança pública também se faz com fiscalização, cobrança e presença do Estado onde a ilegalidade acontece.